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Leitura Dinâmica

QUEM FALA MAIS, LE E ESCREVE MELHOR.

 Vicente Martins   

As crianças, falantes nativas de sua língua, chegam à escola para ler, mas primeiro escrevem para ler, lêem para escrever. É como se a escola invertesse a lógica da língua natural que, antes de tudo, tem sua âncora na fala. 

 

O caminho mais adequado ao ensino eficaz da língua materna, é pensarmos em método que parta da fala, ou seja, garantirmos a fala para a habilidade leitora: deve-se, pois, dar liberdade de falar para garantir uma leitura fluente. 

 

Quem não adquire confiança no seu ato de falar, como pode ter fluência ou velocidade no seu ato de ler?

 

Uma pedagogia da lectoescrita, tradicional, tradicionalista e centrada no professor e no ensino, denuncia que, no meio escolar, os professores ditam palavras, frases e pequenas orações e as crianças, como escribas, escrevem, escrevem e se tornam copistas. Se pensarmos em método, eis aqui um  flagrante fracasso pedagógico com a imposição de tal procedimento: a escrita realmente é ponto de chegada e não de saída no ensino lectoescritor de leitura, escrita e cálculo.

 

Certo é que a  escola abafa a fala, manancial importantíssimo na formação para leitura e para a expressão oral. A escola paga um preço alto por tal atitude: as crianças deixam de aprender a ler, a escrever e a grafar corretamente as palavras na língua padrão culta. A escola gera o seu próprio fracasso.

No final de oito anos de ensino fundamental, encontrar crianças inibidas, acanhadas nos corredores, não tenhamos dúvida, vem muito da interdição da fala, e, conseqüentemente do corpo e da alma. A fala é expressão de nossa alma, do nosso sentimento ou pensamento. Nós somos a expressão da nossa fala.

 A escola insistir em partir da escrita, a ortográfica, e despreza um componente importante na compreensão da linguagem, que é fala, ou mais precisamente os sons da fala, os fonemas da língua materna.

 Aos três anos de idade, na educação infantil, as crianças já são nativas de sua língua e sabem muito da organização da língua materna, de sua regularidade, de sua estrutura e signos e significados que expressam no cotidiano, a partir da sua própria fala espontânea.

 

A escola desconhece essa informação que qualquer manual de psicológica da criança ensina: a fala é ponto de partida do ensino da língua.  Qualquer dúvida sobre essa hipótese, pode se pôr à prova através  de uma simples observação direta das crianças,  sem maiores rigorosos abstratos: realmente partir da fala faz com que a criança perceba que traz consigo um rico manancial de informações preciosas sobre a linguagem verbal escrita.

 

A fala na educação infantil é rico laboratório para os docentes. Por ela, desenvolve-se na criança a percepção auditiva, fundamental para o ensino da leitura. Ensinar a perceber o mundo, forma de fazer leitura do seu cotidiano,  é mais importante do que memorizar formas lingüísticas, das regras do bem dizer. A verdadeira teoria da linguagem vem do olhar, da observação. Olhar para o mundo, suas circunstâncias, é uma forma de apreende-lo de forma sistemática e inspiradora.

 É mais fácil uma criança guardar na memória aquilo que apreende com a percepção do que aquilo que aprende com imposições de deveres, regras ou tarefas escolares. A escola, infelizmente, não percebeu a validade dessa informação didática. A escola, precisa, urgente, revelar suas metodologias, suas partes na direção de um aprendizado eficaz da lectoescrita (leitura, escrita e cálculo).

 As relações entre linguagem oral e escrita são, na verdade, o primeiro passo para o trabalho eficaz, no ambiente escolar, a título de aquisição e desenvolvimento da leitura.

 O que é a escrita senão o espaço material, objetivo, concreto, real, visível de expressão e representação da fala, da linguagem oral? Minha pergunta, na verdade tem uma resposta contumaz: a escrita busca no reino da fala a sua expressão material. 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de Sobral, Estado do Ceará.

Este artigo é mais uma gentileza do Prof. Dr. Martins para o IADI.

 
Para maiores informações escreva-nos. ou ligue no (0xx11) 3288-2466.

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